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União de esforços marca expansão do Consórcio Cerrado das Águas

Em Serra do Salitre, produtores rurais, cadeia produtiva do café, poder público e diversos atores locais estão alinhados pela resiliência às mudanças climáticas.

Em junho de 2021, o Consórcio Cerrado das Águas (CCA), plataforma colaborativa que agrega esforços entre empresas, governo e sociedade civil para a preservação e conservação ambiental para resiliência às mudanças climáticas, deu um grande passo para levar seu objetivo adiante, promovendo a expansão de sua metodologia para Serra do Salitre.

A plataforma que reúne vários integrantes da cadeia produtiva para que, juntos, atuem com este objetivo bacias hidrográficas, iniciou a aplicação da metodologia na bacia do Rio Grande no referido município e celebra os primeiros meses do envolvimento dos produtores rurais, cooperativas de cafeicultores e poder público.

Para o prefeito do município de Serra do Salitre, Paulo Giovani Silveira de Melo (Joca), a parceria é vista como algo complementar ao esforço municipal na preservação do meio ambiente. “A chegada do Consórcio Cerrado das Águas e a parceria firmada com o município de Serra do Salitre é vista de forma extremamente positiva. A agenda de preservação dos mananciais e nascentes, recuperação de Áreas de Preservação Permanente, e atividades de Manejo de solo, são atividades presentes em nosso Plano de Governo, sendo que o município estava buscando alternativas para executá-las. Esta parceria foi o ponto chave para que o maior número de propriedades fosse contemplado. Tenho certeza que a população serralitrense será a maior beneficiada. A Administração Municipal não medirá esforços para que esta parceria seja de sucesso e duradoura”, afirma o prefeito.

O engajamento do poder público municipal o fez um parceiro-chave, nome dado pelo CCA àqueles que se envolvem, formalmente, com contrapartidas para alavancar a implementação das estratégias de metodologia PIPC. Em live de lançamento da metodologia, o Secretário Municipal de Meio Ambiente, Augusto Peres, também declarou sobre a importância da iniciativa para Serra do Salitre. 

“A questão da preservação das nascentes, cursos de águas e áreas de preservação, é um foco que a prefeitura vem tentando trabalhar há muito tempo, acredito que sem o CCA, não conseguiríamos atingir grandes proporções. Estamos prevendo monitorar cerca de mais de 150 propriedades rurais. A prefeitura vê com bons olhos a iniciativa e entendemos que, apesar de já existir a obrigação legal do produtor com as áreas de preservação, nascentes e áreas de preservação permanente, é uma medida socioambiental que atinge diretamente a população do município. A bacia do Rio Grande, que é o principal manancial de abastecimento da cidade, possui um grande potencial turístico, logo, indiretamente, toda a população será beneficiada”, avalia o secretário.

 

Produtores otimistas e engajados

Por meio do PIPC – Programa de Investimento no Produtor Consciente, o CCA oferece alternativas e estratégias para a preservação dos recursos naturais e, consequentemente, o combate aos efeitos das mudanças climáticas. A análise de risco e as estratégias são descritas no  PIP – Plano Individual de Propriedade cuja  forma de implementar as estratégias propostas de forma conjunta dentro da bacia hidrográfica é discutida individualmente com cada produtor. 

O PIPC é um programa desenvolvido pelo CCA que tem como principal característica a rede de engajamento, desde o produtor que reside e trabalha na bacia, permeando toda a cadeia produtiva do café, até o comprador de café em qualquer parte do mundo, passando pelos atores locais, como promotoria, associações e poder público. 

Após  a construção da metodologia, que coleciona resultados positivos no projeto-piloto na bacia do córrego Feio em Patrocínio, os produtores serralitrenses têm se mostrado otimistas e engajados quanto à forma de trabalho conjunto.

O produtor Eduardo Lana aprova a iniciativa e revela que há anos aguarda algo assim para participar e contribuir pelo bem coletivo. “Eu sempre busquei muito me engajar nessas questões ambientais. Costumo dizer que meu segundo negócio é a agricultura, porque o primeiro é plantar árvores. Na bacia do córrego Grande existe uma grande quantidade de nascentes e eu me preocupo, há muito tempo, com elas. Temos diversos problemas com água fluvial e fogo, sendo que sozinho é difícil. Já estou ajudando a divulgar a iniciativa com outros produtores, vamos nos empenhar. A minha propriedade estará sempre aberta para o que for preciso”, enfatiza Lana.

A produtora Vera Lúcia Pazoto acredita que as iniciativas serão benéficas, fortalecendo os produtores nas ações de preservação e cuidado com o meio ambiente. “Já recebi as primeiras visitas e achei interessante, tanto pela metodologia apresentada quanto pelo ambiente para discussões das questões ambientais, por isso acredito que toda a forma de incentivar a proteção do solo e dos ecossistemas naturais beneficiam toda a comunidade, principalmente  a manutenção do fornecimento de água pelos mananciais, logo, no meu ponto de vista, me agrada muito fazer parte de uma equipe que se preocupa com o meio ambiente”, declara.

 

Sobre o Consórcio Cerrado das Águas

Criado em 2015, em Patrocínio – MG, o Consórcio Cerrado das Águas tem como objetivo conscientizar produtores da região sobre a importância de seus ativos ambientais por meio do diagnóstico e investimento nos mesmos, garantindo sua preservação a longo prazo.

A iniciativa possui como membros associados as seguintes empresas: Nescafé, Expocaccer, Nespresso, Lavazza, Cooxupé, CofCo, Volcafé, Stockler, além das instituições apoiadoras como Federação dos Cafeicultores do Cerrado, CerVivo, Imaflora e IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil.

Em 2019, o projeto piloto recebeu do Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos (CEPF) o valor de US$400 mil para implementar o programa que irá promover, inicialmente, o investimento e a proteção dos ecossistemas naturais encontrados em mais de 100 propriedades ao longo da bacia do Córrego Feio. A quantia é o maior subsídio já concedido pelo CEPF, que conta com exigentes doadores como a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), União Europeia, Fundo Mundial para o Ambiente (GEF), Governo do Japão e Banco Mundial

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Créditos imagem: Arquivo CCA