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Semeadura direta é adotada por Consórcio Cerrado das Águas como estratégia de resiliência às mudanças climáticas

 

Prática foi testada por produtores que integram a plataforma colaborativa e especialista relata os resultados.

 

Patrocínio-MG, fevereiro de 2021. Em atividade desde 2014, o Consórcio Cerrado das Águas é uma plataforma colaborativa que une vários setores como: empresa, governo e sociedade civil para promoverem, conjuntamente, ações e esforços para a preservação e conservação ambiental a fim de combater as mudanças climáticas. Atualmente sua dinâmica de atuação concentra-se no município de Patrocínio, no Cerrado Mineiro, em parceria com os produtores localizados dentro  da bacia do córrego Feio, principal fonte de abastecimento hídrico do município.

 

Objetivos definidos

A plataforma colaborativa tem como diretriz de seu trabalho o PIPC – Programa de Investimento no Produtor Consciente que oferece serviços especializados para o desenvolvimento ambiental das propriedades da bacia do Córrego Feio em três frentes: restauração, práticas agrícolas climaticamente inteligentes e gestão eficiente dos recursos hídricos. Assim, aderindo a este  programa, o produtor recebe o PIP – Plano Individual de Propriedade, elaborado pela equipe técnica e especialista do CCA para cada produtor implementar as estratégias específicas de sua fazenda alinhadas ao grande objetivo da plataforma e, por meio desta dinâmica, o CCA estabelece uma parceria com o produtor rural para que, juntos, encontrem alternativas para combaterem os efeitos das mudanças climáticas e cuidar dos recursos naturais.

 

Semeadura direta: uma boa opção para restaurar o Cerrado

A semeadura direta é uma das práticas utilizadas  para restaurar o cerrado, como explica Lina Inglez, consultora ambiental especialista em conservação da Mata Atlântica e Cerrado, coordenadora dos  trabalhos do PIPC com os produtores da plataforma colaborativa. De acordo com a especialista, a semeadura direta é  uma técnica usada para as áreas em estado avançado de degradação, onde as mudas não se desenvolvem bem.  Notadamente, os melhores resultados tem sido em fisionomias de cerrado senso restrito e campo cerrado. É interessante porque permite o uso de um mix  de espécies vegetais  herbáceas, arbustivas e arbóreas, possibilitando, ao mesmo tempo, formação de vários extratos do ecossistema Cerrado ”.

 

O CCA adota uma série de práticas de acordo com cada diagnóstico ambiental, a semeadura direta é recomendada quando não ocorrem gramíneas exóticas, que neste caso exercem forte competição com as sementes do cerrado. Também é possível adotar as duas técnicas concomitantemente: semeadura direta e plantio consorciado. Para a restauração de formações campestres é a prática mais indicada, quando é feita a semeadura somente de espécies de gramíneas e herbáceas.

 

Resultados no CCA

No ano passado, o CCA conduziu um experimento a fim de testar o protocolo de semeadura direta para a bacia do Córrego Feio. Relata Lina que os resultados dos testes mostraram que o uso de inoculantes (para  melhorar o solo) contribuem para proliferação de plantas indesejáveis e impedem a germinação de várias espécies e que a dosagem recomendada deve ser maior daquela estipulada pela Rede de Sementes do Cerrado (fornecedor do mix de sementes usadas no experimento). Portanto, no protocolo do CCA, além de dobrar a dosagem das sementes, não recomenda-se o uso de qualquer insumo e as áreas selecionadas devem estar livres de braquiária, colonião e napier.

Lina informou que neste ano foi feita uma segunda área piloto de semeadura direta, em 0,5 ha de um local degradado, que foi um antigo porto de areia. Este local apresentou os requisitos levantados no primeiro teste, para que a semeadura tenha sucesso. Foram selecionadas no mix, 80% de sementes de gramíneas que são espécies de inicio de sucessão de cerrado e podem tolerar as condições de solo degradado para germinarem. Neste teste serão observadas as espécies com maior porcentagem de germinação e, assim aptas a serem utilizadas em escala maior para recompor a área com esta situação, que chega a 14 hectares

A especialista ressalta que essa técnica difundida na região, cria oportunidades para a formação de uma rede de coletores de sementes de Cerrado que vai abastecer os programas de recuperação regional e providenciar uma nova forma de economia sustentável.

 

Sobre o Consórcio Cerrado das Águas

Criado em 2014, em Patrocínio – MG, o Consórcio Cerrado das Águas tem como objetivo conscientizar produtores da região sobre a importância de seus ativos ambientais por meio do diagnóstico e investimento nos mesmos, garantindo sua preservação a longo prazo.

 

A iniciativa possui as seguintes empresas associadas: Nescafé, Expocaccer, Nespresso, Lavazza, Cooxupé, além das instituições apoiadoras como Federação dos Cafeicultores do Cerrado, CerVivo, Imaflora e IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil.

 

Em 2019, o projeto piloto recebeu do Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos (CEPF) o valor de US$400 mil para implementar o programa que irá promover, inicialmente, o investimento e a proteção dos ecossistemas naturais encontrados em mais de 100 propriedades ao longo da bacia do Córrego Feio. A quantia é o maior subsídio já concedido pelo CEPF, que conta com exigentes doadores como a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), União Europeia, Fundo Mundial para o Ambiente (GEF), Governo do Japão e Banco Mundial.

 

Saiba mais acessando: http://cerradodasaguas.org.br

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Legenda imagem: Semeadura direta sendo realizada em propriedade rural integrante ao CCA.

 

Créditos imagem: Arquivo CCA

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