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A geada trouxe o recado: é urgente se preocupar com o clima.

 

Fabiane Sebaio
Secretária Executiva Consórcio Cerrado das Águas

 

A geada que atingiu a Região do Cerrado Mineiro no dia 20 de julho deixou um rastro de consequências que ainda não foi possível mensurar com totalidade, no entanto, levantamentos iniciais apontam que os prejuízos deixados pela geada nas lavouras foram imensos. Além do café, morango, feijão e milho, outras lavouras também sofreram perdas e, isso, impacta a vida de milhares de pessoas, bem como eleva os preços dos alimentos que são sentidos pelo consumidor final. Somado a isso, ainda temos previsões de chuvas reduzidas, o que afetará a retomada do estado vegetativo das plantas. As marcas deixadas sobre os agricultores, principalmente os pequenos, serão eternas. Inicia-se, assim, um ciclo de prejuízos.

Infelizmente, os danos causados pelas geadas vão além das lavouras e alcançam a vegetação nativa. Os impactos são reais: animais sem comida e sem habitat, água sem proteção, risco de fogo ampliado e, consequentemente uma redução drástica da oferta de serviços ecossistêmicos para as lavouras e comunidades de entorno. Sabendo da total dependência que o meio ambiente artificial (as cidades) e o domesticado (as lavouras) têm em relação ao meio ambiente natural (áreas nativas) e fácil imaginar que o ciclo de prejuízos é maior do que o calculado.

É impossível não fazer uma reflexão sobre o momento! Muito se fala sobre mudanças climáticas, aquecimento global, gases de efeito estufa, pouco se internaliza sobre tantos conceitos que circulam na mídia e mais difícil ainda é dimensionar as consequências. Talvez seja pelo fato de que, por ocuparmos um tempo especifico no tempo e espaço, não fomos capazes de perceber as mudanças sutis que vem acontecendo no clima e nosso imaginário fica esperando aquela cena cinematográfica apocalíptica e, consequentemente, não conseguimos agir. Ficamos inertes, incrédulos, como o sapo na panela de água que não percebe o aquecimento gradual da temperatura. Preferimos pensar que isso sempre existiu e que vamos nos recuperar no próximo ano.

Precisamos (re)agir e o que temos que fazer já é conhecido: Restaurar as funções dos ecossistemas naturais, reduzir a emissão de gases de efeito estufa, adotar práticas climaticamente inteligentes, práticas regenerativas, visão holísticas. Enfim, soluções não faltam. Precisamos avançar e a pergunta é: quando devemos começar? A resposta é simples: Imediatamente. Estamos falamos de emergência climática.

Em meio a esse cenário de extremos do clima e os seus efeitos sobre a produção surgiu o Consórcio Cerrado da Águas. Uma plataforma colaborativa entre empresas, governo e instituições não governamentais que tem como premissa a colaboração e união de esforços na restauração de bacias hidrográficas. Um trabalho em grande escala que analisa riscos climáticos e implementa estratégias, investindo em produtores que desejam se tornar resilientes aos efeitos das mudanças climáticas. Como bem escreveu o produtor Thiago Motta em nome da empresa Arbor Café: As árvores “operacionalmente, dificultam, o manejo, as operações e a mecanização, mas trazem muitos outros benefícios, como abrigo aos inimigos naturais (das pragas e doenças que molestam o cafeeiro), funcionam como quebra-ventos e “colchões-térmicos”, auxiliam na manutenção do microclima local, etc”. Ninguém melhor que o produtor rural para conhecer os infinitos serviços providos pelo meio ambiente natural ao seu ambiente domesticado.

Sentimos muito por todos os produtores que tiveram suas lavouras atingidas pela geada e desejamos a todos muita força e fé. O Consórcio Cerrado das Águas está avançando e convida a todos os produtores a conhecer as práticas de agricultura climaticamente inteligente. Vem, vamos fazer parte dessa mudança.

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Fabiane Sebaio

Secretária Executiva Consórcio Cerrado das Águas